Palavras do dia e da noite
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Terça-feira, Dezembro 31, 2002
Férias VIII
Sem considerações sobre ano novo. Nem pensar em textinhos lambusados de esperança, expectativas, metas e essas merdas. Que o amanhã chegue glorioso, como hoje dá continuidade ao ontem. Não quebre a cara pensando em ano novo, segunda-feira, o mës que vem, quando a primavera chegar, quando Deus quiser. Felicidade agora. Nem mais. Nem menos.
por Ângela Broilo
11:53 AM
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Segunda-feira, Dezembro 30, 2002
Férias VII
O mistério tem seus encantos. Mas a revelaçao é fértil e traz a promessa da continuidade.
por Ângela Broilo
9:47 AM
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Ontem o Angel completou um mës. Como passa rápido.
..................................
por Ângela Broilo
9:45 AM
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Domingo, Dezembro 29, 2002
Férias VI
Mulher senta ao meu lado na piscina. Cumprimenta. E começa a falar sozinha:
- Dia 29, 29, 29, 29...
- Como?, pergunto.
Ela nem toma conhecimento.
Continua na sua arenga: 29, 29, 29...
O marido chega. Toca no ombro dela. Mulher ergue os olhos e abre um sorriso apaixonado. Ele deve ter uns 60 anos, barrigudo, careca e delicado. Então o marido se afasta, mergulha na piscina. Ela olha para os dedos e passa a contar, um a um:
- 29, 29, 29...
por Ângela Broilo
10:32 AM
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Sábado, Dezembro 28, 2002
Férias V - Inevitáveis no verão
Guarda-sol: instrumento usado na coleta do sol do verão para aquecer as noites frias do inverno.
Biquíni: bico de pássaros marítimos da espécie provocantis, que deixam o inimigo tonto antes do ataque.
Caipirinha: meninas virgens de 14 a 18 anos, provenientes do interior, que vëm ao litoral no verão para procurar marido.
por Ângela Broilo
9:38 AM
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Sexta-feira, Dezembro 27, 2002
Ganhei o award da Angy, do Pretty Angel. Olha que lindo!
por Ângela Broilo
6:14 PM
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Férias IV
Os tímidos nasceram longe da chuva. Tomar banho de chuva é um exercício de libertação.
por Ângela Broilo
9:19 AM
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Quinta-feira, Dezembro 26, 2002
Este presentinho ganhei da Carla, do blog Presentinhos! Olha que gracinha!
por Ângela Broilo
7:43 PM
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Olha que lindo o presentinho que ganhei da Naty!
por Ângela Broilo
7:39 PM
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Férias III
O barman aqui do hotel é um homem triste. Ele xinga os garotos que pulam na piscina interna. Os garotos nem aí. Mais tarde, os adultos começam a pular na piscina, borrifando água pra todo lado. O barman observa silencioso, baixa a cabeça, continua seu trabalho de servir alegria pros adultos saltadores que dispersam sua água pelo bar.
por Ângela Broilo
9:50 AM
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Quarta-feira, Dezembro 25, 2002
Férias II
Aqui sinto falta do Bar de Baco. Das noites aconchegantes. Do riso solto. Do drama perene. Dos personagens inusitados que freqüentam suas mesas. Aqui são outros bares. Novas realidades. A vida é aquática e ensolarada ao invés da noturna tatuada de luas. Aqui tem jovens, crianças e velhos brincando de ser feliz. No Bar de Baco, a alegria tem tränsito livre, mas chega de vez em quando e de vez em quando é convidada para dançar. Muitas vezes, nos envolve a melancolia ao som de um blues e o prazer de sua beleza compensa a tristeza que a acompanha. Aqui o mundo é colorido. No Bar de Baco, as cores escuras são pano de fundo para destacar a vida em toda a sua extensão. Hoje vou brindar com champagne. À todos os amigos do Bar de Baco ( e a quem se perder por aqui), Feliz Natal!
..........................................
O que aconteceu ontem com o Blogger? Não consegui acessar para enviar o post do dia 24.:o(
por Ângela Broilo
9:41 AM
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Segunda-feira, Dezembro 23, 2002
Férias I
Cena bizarra de beira de estrada. Estamos numa banca de frutas quase em ruínas. Deve ter sido azul. Hoje tem apenas restos de tinta sobre a madeira apodrecida. Menino de uns 18 anos, portador de necessidades especiais, está amarrado pela cintura ao tronco de uma árvore. A corda tem cerca de um metro e meio de folga.
- Por que ele está amarrado?, pergunta a mulher enxerida à senhora de cabelos brancos, proprietária da banca.
- Ele foge.
O velho magrinho de camiseta vermelha observa a cena com desinteresse.
O menino produz uns sons o tempo inteiro. Parece o mantra Öm. E sacode os braços para o alto numa dança particular.
Minha alma fica presa ao tronco da árvore por vários quilömetros adiante.
por Ângela Broilo
9:25 AM
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Domingo, Dezembro 22, 2002
Estou saindo de férias hoje. Não vou conseguir postar nada que preste durante 12 dias... Mas vou reler O Idiota e Os Irmãos Karamazov. Não encontrei Os Demônios :o(. Pelo menos a qualidade da leitura vai estar boa. Levo também Fanny Hill e um Marguerite Duras. Quero fugir das listas dos 10+. Té amanhã.
por Ângela Broilo
8:29 AM
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Sábado, Dezembro 21, 2002
Olha aí o Award que ganhei! E é do Mero Acaso! Brigadaaaaaa, Naty!
por Ângela Broilo
8:32 PM
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Morta-Viva
Quando você morreu, eu morri também. Morta-viva vou levando assim, de vez em quando renascida, outras horas adormeço no meu túmulo com a tranqüilidade de quem não espera mais demais. Quando você morreu, algo em mim partiu. Algo que não volta. A ilusão de que a vida é generosa. Não é. Ela é injusta como todas as coisas vivas. E sedutora também. A morte flerta comigo, mas a vida tem uma beleza única, que enfeitiça e se faz presente e exige o que é seu com a segurança inconseqüente das mulheres lindas. Morta-viva eu vou levando. Por enquanto, a vida tem levado a melhor. Finita que é, me quer agora.
por Ângela Broilo
12:45 AM
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Sexta-feira, Dezembro 20, 2002
2003 vem aí. Tudo de bom pra nós. Não ponho fé, mas entro cheia de esperança. Adoro me iludir. Fazer o quê.
Tédio. Tanto tempo que não sinto isso. Nem sei mais o que é. Não tenho mais tempo nem pra me entediar.
Férias. Falta 1 dia. Depois, 12 dias de delícias. Só vou sentir falta do meu PC. Mas diz que tem Internet lá no hotel. Assim, acho que não vou deixar o blog às moscas. Acho que naum.
Sabedoria. É saber viver com tranqüilidade o tempo que falta para iniciar as férias. Ai, ai... Que falta a sapiência me faz...
por Ângela Broilo
8:14 AM
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Quinta-feira, Dezembro 19, 2002
Ganhei da Isabela, da Doll Maníaca!
Valeu, Isabela, adorei o presentinho!
por Ângela Broilo
10:09 PM
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De como "A Varredoura" pode alterar sua vida
Cheguei em casa e lá estava a varredoura. Ali, parada... Encostada na minha parede, de pé, vassoura e tudo na mão. O vestido azul, o detalhe vermelho. A varredoura nem me olhou muito bem. Tinha os olhos tristes, fixos um pouco acima do chão. E trouxe um carrinho de lixo, onde apoiava seu corpo. Não que eu a tivesse convidado. Mas alguém por certo o fez. Foi tão estranho encontrar essa mulher naquela sala do apartamento... Ela tinha pés grandes, pés de varredoura, canelas de varredoura e seios fartos... Os bicos eram salientes... sob o vestido azul e vermelho. E partindo dela, eu tinha uma vista parcial do centro da cidade, aqui do terceiro andar.
Fiquei transtornada com os dedos dos pés da varredoura, eram impressionantes através da sandália... Se você olhasse para esses dedos, penso que também ficaria abismado. E então aconteceu. Eu senti minha vida modificar-se. Rapidamente. Ninguém poderia ser a mesma pessoa a partir do segundo em que pusesse os olhos nessa mulher. Impossível!... Você poderia não sentir o que eu senti. Você poderia ter mudado menos ou mais do que eu ... Mas mudaria. Não sei como ou sob que ângulo. (E, perdoe, aqui falo tanto de mim, porque ainda não conheço você.). Minha perspectiva de vida tornou-se mais rica. E eu mais experiente e... tão mais viva na vida que transbordava das carnes da varredoura... Ela era forte no meu entender ... Poderia ser gorda para você. Não sei se você sentiria essa extrema necessidade de varrer todas as suas mágoas... As suas mágoas, talvez as mágoas do mundo... Porque ela estava ali melancólica, cansada, pensando coisas, encostada naquele carrinho... logo dentro da minha casa. Foi dela essa atitude passiva que me tornou mais ativa. Eu deveria varrer sobras, vestígios, estresses do dia-a-dia... Eu deveria varrer a TPM, as rotinas que fazem mal ao amor... Eu deveria varrer meu chão, para caminhar sem tropeços...
Foi depois, muito tempo depois, meses, quem sabe um ano, que racionalizei. E fiquei a imaginar que pessoa eu seria se "A Varredoura" não surgisse em meu caminho? E "A Varredoura" todo mundo pode conhecer. E apalpar. Ela nasceu aqui na cidade..., dos sonhos desse pintor que Ele pôs perto da gente. Veio num daqueles quadros. Aqueles que trazem a resposta da questão: "Como seria a vida sem as obras de arte?.." Sem essas pessoas sensíveis e talentosas..., que vida tão triste, meu Deus!...
Não gosto de empregar certezas, não creio em uma moral única para toda a gente..., mas uma coisa é certa: quando o mundo tiver mais tempo, desejo e condições para conhecer e beber a arte, e deixar-se transbordar..., que mundo mágico seria!...
Imagine que Paris interpretaríamos sem Lautrec, nem Van Gogh, sem Balzac, sem os filmes da Catherine Deneuve?...
E... chegando aqui, nas proximidades..., discretamente. Se a nossa cidade não tivesse gente especial, essa gente que pode criar "Varredouras" dentro da sua e da minha alma..., que vida menos rica nós teríamos!...
por Ângela Broilo
11:21 AM
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Quarta-feira, Dezembro 18, 2002
Noites no Baco
Ele anda perto das paredes. Usa um chapéu preto. O chapéu toma conta de sua personalidade. Coloca o homem na sombra. A iluminação é exígua no Bar de Baco. Por isso, ele gosta de lá. A discrição contida do ambiente sempre o chama de volta. Ele não sabe mais por que anda de chapéu. O tempo na sombra levou suas lembranças. Ele bebe e espera o quando. Seus quandos sempre demoram a chegar. O homem de chapéu já faz parte do Baco. Como seus fantasmas. Ele tem quarenta e poucos anos e todo a inércia do mundo. Seus movimentos são lentos. As mãos envolvem o copo, perfeitas. Desnudam o passado ensolarado do homem das sombras. Mas não gritam mais. Estão em harmonia com o todo do homem. Semanalmente, o piano do Baco entrava em contato com aquelas mãos. Melodia sombria de fim de noite envolvia os presentes e os ausentava de tudo. Mas ontem ele não tocou. Arrisquei perguntar o porquê. Não devia. Debaixo do chapéu preto, o homem não disse nada. E chorou.
Há também a professora que freqüenta o Baco durante a semana. Ela sempre senta no balcão e conversa com o barman. São amigos, amizade de noites a dentro, anos a fio. A professora tem a segurança de uma feiúra sólida, plantada no chão. O barman tem a inconstância de um homem noturno. Os dois se complementam. É uma conversa cheia de entendimento, sem desejos, sem expectativas. É o riso solto pleno de silêncios tranqüilos. Um bebe o que o que o outro serve. Um sorve o que o outro oferece. No seu mundo à parte, eles fazem parte das noites serenas do Baco.
E existem outros habitués. Como o Velho. O rosto revela a vastidão dos planaltos percorridos. Nem sei que idade tem. É mais velho que o Baco. Fala pouco. E costuma nutrir suas lembranças em grandes goles. Ontem, sem música, fiz um brinde com o Velho ao homem do chapéu preto. Acompanharam o brinde, a professora e, na intenção, o barman, que não bebeu, mas brindou mesmo assim. Um brinde de adeus à música perdida do homem das sombras.
por Ângela Broilo
8:04 AM
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Terça-feira, Dezembro 17, 2002
Falando em censura, alguém leu a entrevista do Frei Betto, o conselheiro espiritual do Lula, na Veja? A idéia dele é submeter a televisão brasileira a um "controle de qualidade" estatal. Sai dessa, companheiro!
por Ângela Broilo
11:35 AM
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Proibido Proibir
Há um tempo atrás li na Isto É aquela reportagem sobre os sites pro-anna e, curiosa que sou, fui verificar in loco. Existem mesmo. Vários em forma de blog. A doença exposta, em carne viva. Triste. Chocante. Deprimente. Mil coisas contra. A favor apenas da livre expressão. Mesmo da doença. Sou pelo slogan "É proibido proibir". Quem não quiser, que não freqüente. Pra mim, uma vez bastou. O que tinha lá só me entristeceu. Agora, qualquer discussão cogitando a censura, isso sim me deixa doente. Doente de indignação.
A censura não cura os doentes. Estimula a doença.
por Ângela Broilo
9:22 AM
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Segunda-feira, Dezembro 16, 2002
R
Raiva.
Rasgo.
Risco.
E até ruim.
Rente ao chão...
Quero nunca ser Raquel,
Rute, Roberta...
Prefiro ser Ângela, Ana, Luísa.
Que o destino me leve, mais leve.
Não apresente, floresça.
Não apareça, nasça.
O que quero da minha vida?
Suavidade. Serenidade. Leveza.
Respeito? Nem tanto assim.
por Ângela Broilo
12:56 PM
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Domingo, Dezembro 15, 2002
Valdecir
- E aí, dotôra? Tá precisando de um motorista?
Minha vida profissional começou muito cedo na publicidade. Depois desisti e fui fazer direito. Advoguei um tempo e aí retornei às origens. O Valdecir foi um de meus clientes do tempo de causídica. Passei por ele no centro, sexta-feira. Fazia tempo que não via a figura, não depois que ele "caiu lá" por três anos.
O Valdecir é baixinho, negro, tem vinte e poucos anos e um sorriso cheio de dentes. É carismático e, com suas limitações, inteligente. Ainda,... segundo o seu empregador, muito honesto.
- Posso deixar ele no caixa, dra., que não some um centavo.
E era verdade mesmo. O Valdecir correspondia à confiança de quem confiava nele. Tinha uma história comum de abuso paterno. Saiu de casa aos treze anos, depois de levar uma surra do pai com "fio de luz"... não sei bem o que é isso, mas posso imaginar. Quando o conheci, ele era cozinheiro de um bar perto de escritório. Estava respondendo a vários processos por furto. Ele costumava arrombar estabelecimentos comerciais à noite. Foi preso porque estava se recusando a dividir o produto de seu "trabalho noturno" com a polícia civil.
- Não é justo, dra. Eu que faço tudo...
- Você não acha que já é hora de parar de fazer isso tudo?
- Mas, dra., eu tenho três mulher pra sustentar...
- Como é que é?
- A Fernanda, a Preta e a Isabel...
- Ah, pára com isso, Valdecir...
- E tão as trêis grávida...
- O quê?
- Pois é, dra. - todo orgulhoso.
- Duvido, Valdecir... Conta outra...
- Pois eu trago elas pra dotôra vê.
- É? Então trás... Imagina só três mulheres e três grávidas...
Dia seguinte, pela manhã, bate na porta do escritório uma tal de Fernanda. Magra, com cabelo preto bem liso, pálida e grávida, trazia uma criança pequena pela mão.
- O Valdecir disse que a senhora queria me ver...
- Você é a esposa dele?
- Sou sim e esse aqui é o filho dele...
O menininho envergonhado se torce todo e dá um sorrisinho.
- Hummm... E vc está esperando outro filho?
- Pois é..., passa a mão na barriga. A senhora acha que ele vai cair lá?
É engraçado esse negócio. Eu provavelmente era mais nova do que ela e era doutora pra cá, senhora pra lá, mas você acaba acostumando com isso no mundo do direito.
- É, Fernanda... Está complicada situação...
Duas horas mais tarde, entra a Isabel. Baixinha, negra e sorridente. Entra toda feliz. Um contraste e tanto com a Fernanda, que era a imagem da melancolia. E grávida.
- Oi, dra. O Valdecir disse que a senhora tá defendendo o caso dele.
- Pois é... Você é a esposa dele?
- Sim, sou a que mora atrás da casa dos pais dele...
- Como assim?
Só mais tarde o Valdecir me explicou direito essa história. A Isabel era como se fosse a primeira esposa. A preferida. Então conquistara o direito de morar com a família dele.
- Mas eu pensei que você tinha brigado com seu pai, Valdecir...
- É, só que hoje eu sustento eles.
A Preta era loura, olhos azuis, toda delicada. Veio à tarde e também trazia um barrigão. No fim do dia, chega o Valdecir com um cafezinho. Como o bar onde trabalhava era colado ao escritório, ele costumava trazer cafezinho quando queria conversar.
- Tá, Valdecir, acabaram as esposas?
- Agora a dra. acredita?
- Pois é... Escuta, você deveria levar suas esposas no médico... Existe anticoncepcional, sabia? Não precisa engravidar todas ao mesmo tempo...
- Mas é que comigo isso não funciona...
- O quê?
- A tal pílula... Eu sô muito forte... Elas toma, mas não arresorve...
Um ano depois a Fernanda aparece no escritório, de olho roxo, com a mãe a tiracolo. Mas o problema não era com ela, Fernanda. Era a mãe que queria se separar.
- O que aconteceu no seu olho, Fernanda?
- Ah! Foi o Valde...
- Ele costuma bater em você?
- Só às veiz...
- Diz prele vir aqui que eu quero falar com ele.
Outro dia aparece o Valdecir com cara de inocente e um boné novinho em folha.
- Valdecir, eu queria falar com você.
- Tô sabendo, dra., - abrindo um sorrisão.
- Que história é essa de você bater na sua mulher? Não tem vergonha, não?
- Mas, dra., ela me provocou...
- Como assim?
- Não queria me deixar sair...
- Mas, Valdecir, não se bate em mulher. É covardia...
- Aí que a senhora se engana. Só depois que eu bato nelas, elas ficam gostando de mim de verdade.
- Valdecir, isso é muito feio. Eu também sou mulher e garanto que mulher nenhuma gosta disso, não.
- Mas a senhora não é bem mulher... é dotôra e dotôra é diferente...
por Ângela Broilo
11:15 AM
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Sábado, Dezembro 14, 2002
Rubem Braga
Cronista pra mim é o Rubem Braga. Não tem igual. Não teve. Não vai ter. Já falaram tudo que se podia falar das qualidades do homem. Antes e depois de sua morte. Só digo uma coisa: tem textos dele que me fazem chorar de tão bonitos. Como esse.
por Ângela Broilo
4:10 PM
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Segredo
É segredo... Você já disse... Não vai contar. De jeito nenhum. Ninguém precisa saber de nada... Porque é segredo. Faz cócega na sua língua. Mas você cala. Chega a dar sede. Você cala. Será que desta vez você vai segurar? Você fica agitado, conta como foi o dia, dá voltas na sala, atende uma ligação... Mas eu conheço você. De outros Natais. É o seu jeito de olhar, de andar, de colocar o gelo no copo... Você acabou de comprar meu presente. E vai contar, antes do fim da noite, em detalhes, a surpresa que você vai fazer pra mim nesse Natal.
por Ângela Broilo
12:42 AM
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Sexta-feira, Dezembro 13, 2002
Quem tem medo do lobo mau?
Às vezes, o lobo mau é sedutor. Você sabe como é isso... Ele chega de mansinho, fala baixinho e faz promessas que você sempre quis ouvir. O problema é que o lobo mau é impotente. Ele propõe, mas não consegue cumprir. Esses dias, a Sandrinha caiu no conto do lobo mau. Fiquei sabendo ontem que todo mundo avisou. O João tá querendo quebrar a cara dele. Mas não adianta nada, João. O lobo mau vai seguir comendo a Chapeuzinho até o fim dos tempos. Só depois de muito apanhar, meninas com tendência a Chapeuzinho vão perceber as vantagens de estar com o Caçador. Este sim, vale a pena. Ele pode não ficar sussurrando coisinhas no seu ouvido, mas sabe muito bem como te fazer feliz todo dia.
por Ângela Broilo
11:41 AM
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Quinta-feira, Dezembro 12, 2002
Meu micro quebrou... sniiifff! Num consigo consertar... Que sensação de impotência mandar pro conserto... :o((
por Ângela Broilo
11:44 AM
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Conheci o Dirceu no Bar de Baco. É amigo da Márcia, namorada do Fernando.
Dirceu diz que não acredita em Deus nem em marcianos. Só que tem medo de fantasmas, apesar de também não acreditar na sua existência.
- Mas, Dirceu, se eles não existem, que história é essa de ter medo?
- É uma sensação que eu tenho...
- Que tipo de sensação?
- É como um vento gelado passando por aqui.
- Mas então você acredita...
- Acredito nada.
- ...
- Sentiu?
- O quê?
- O vento...
- É... Tem um ventinho à toa...
- Viu?
- Dirceu, você acha que esse ventinho pode ser...?
- Acho nada.
- ...
- Mas que tem um ventinho aqui, lá isso tem...
por Ângela Broilo
11:03 AM
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Quarta-feira, Dezembro 11, 2002
Eu sempre me surpreendo com a perfeição da maçã, a textura sensual da manga, a beleza bem guardada no interior de um romã. Se eu pertencesse ao mundo vegetal, não queria ser flor. De jeito nenhum. Gostaria de ser fruta. Para ter minha existência devidamente saboreada. Comida por inteiro, com os dentes e com os olhos. E, se pudesse escolher entre as frutas, gostaria de ser uma melancia madura, servida bem gelada, doce como uma tarde de verão. Meus melhores amigos, que fossem uma salada de frutas, das mais tradicionais às mais exóticas, que é pra dar tempero à vida. E nada de chantilly. Prefiro os sabores originais. Já, o meu amor, importante é que não fosse morango, porque a maioria só tem beleza; sabor que é bom, fica na vontade. Ele seria um pêssego, não aquele rosado, mas o amarelo, selvagem e ácido, com textura de mato e a maciez dos sonhos. E, sendo pêssego, ele teria em si aquele aspecto self-service inerente a todas as frutas. Como se a natureza sussurrasse no ouvido da gente: - Sirva-se!
por Ângela Broilo
11:46 AM
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Terça-feira, Dezembro 10, 2002
Tem fantasmas no Bar de Baco. Eles chegam depois da meia noite, acomodam-se nas mesas vazias e só os freqüentadores mais atentos percebem a palidez extrema, os olhos vítreos. Se não há mesas vazias, eles sentam nas cadeiras vagas. Comigo. Com você. E bebem vinhos de safra. E afogam mágoas passadas. Toda terça-feira, uma alma feminina aparece. Descolorida como a água mais pura. Sua roupa toda branca tem reflexos azuis. E ela chora feito criança entre goles de um Chardonnay. O nome é mara, maria ou mariana. Tem nome de mar, cheiro de maresia. Desistiu de Antônio, que tinha outra mulher. E morreu entre as ondas, cansada da vida, bêbada das noites insones, vazia de traição e desejos. Mas hoje ela terá companhia. Noite de glória no Baco para mara maria mariana. Antônio, pai de família extremado, chegará para o último brinde, antes da derradeira subida. Último gole, último beijo, último resquício de desespero. Depois é o nada entre nuvens de Chardonnay. E terças-feiras consecutivas vivendo a morte no Baco.
por Ângela Broilo
10:45 AM
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Segunda-feira, Dezembro 09, 2002
Urgência
O tempo voa, time is money, faça-se agora, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje, quem corre menos voa, urgente, urgente, urgente... A pressa tomou conta do mundo, invadiu o dia-a-dia. E o que é pior: chegou também nos contos de fadas. Ao contrário da Cinderela moderna, a de minha avó não tinha uma noite de baile, tinha três. E portanto três vestidos, que não eram só bordados com jóias, mas com o azul da mar, o brilho do sol, a palidez da lua. Foi uma pena terem resumido a Cinderela atual. A Gata Borralheira perdeu com isso duas maravilhosas noites com o príncipe. E as crianças perderam boa parte da emoção da estória. Espero que, daqui a algum tempo, não diminuam também a quantidade de anões da Branca de Neve ou o comprimento da trança da Rapunzel. Com toda essa pressa, são capazes de acordar a Bela Adormecida em uma semana.
por Ângela Broilo
12:35 PM
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Domingo, Dezembro 08, 2002
Sem tempo hoje. Vai aqui uma citação que achei legal.
Somente novas realidades criam novas linguagens, porque as linguagens são a expressão de novas realidades. Mas é possível que uma linguagem se antecipe a uma realidade. Um poeta, um cientista, um criador pode antecipar-se a uma realidade que não está manifesta. Glauber Rocha (Jornal Zero Hora, 05/12/2002, do livro Rocha que Voa)
por Ângela Broilo
4:25 PM
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Sábado, Dezembro 07, 2002
Voltei. O povo carioca continua lindo, com aquela descontração deliciosa que reina em toda parte. A festa da ABMN foi assim, a cara do Rio.
por Ângela Broilo
2:44 PM
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Sexta-feira, Dezembro 06, 2002
Rio
Estou indo pro Rio hoje. Volto amanhã de manhã. Tenho uma sensação estranha, que não existia há uns três anos atrás. Pelo menos não com tanta intensidade. Fico feliz em voltar logo. É engraçado. Como todo amante de bossa nova, sempre fui fascinada pela terra de Tom e Vinícius. Sem falar que os cariocas são encantadores. Mas hoje essa sensação foi substituída por insegurança. E uma certa melancolia... Não é justo que o local onde nasceu tanta música e tanta poesia, tanta gente bonita, hoje gere a percepção de violência extrema, num coquetel amargo preparado pelo tráfico de drogas, pela corrupção, pelos bandidos. Não é justo eu sentir esse medo. Medo que contamina o prazer de estar lá. Preocupação com segurança é medo pela vida.
por Ângela Broilo
8:12 AM
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Quinta-feira, Dezembro 05, 2002
Coisas
Tem coisas que eu gosto e muita gente não entende:
- montanha russa;
- filme de terror;
- suspense;
- noite sem lua;
- vampiro;
- sapo;
- histórias sem fim;
- poeta de botequim.
Tem coisas que eu gosto e quase toda gente gosta:
- mar;
- Marguerite Duras;
- livraria;
- Vinicius;
- Dostoievski;
- Van Gogh;
- Anne Tyler;
- Philip Dick;
- cinema;
- Natal;
- comédia;
- O Grande Gatsby.
Tem coisas que eu não gosto e tanta gente não entende:
- filme romântico;
- drama;
- homem romântico;
- salto alto;
- batom vermelho;
- comprar roupas;
- música alta;
- o engraçadinho;
- a engraçadinha;
- não ser vegetariana.
Tem coisas que eu não gosto e quase todo mundo entende:
- Sandy e Junior;
- chegar atrasada;
- festa lotada;
- vendedora que entra no provador;
- o malandrinho;
- a malandrinha;
- incompetência;
- insetos;
- layout brega;
- garçom enxerido;
- comida morna.
Tem coisas que você gosta e eu não gosto ou que você não gosta e eu adoro. Mas isso não faz com que eu goste mais ou menos de você.
(Esse post foi pro Junior. Ele reclamou que eu não coloquei informações pessoais no blog.;o)).
por Ângela Broilo
7:55 AM
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Quarta-feira, Dezembro 04, 2002
- Você quer um cafezinho?
Ninguém sabe, na verdade, como ou quando "inventaram" o café. Existem várias lendas envolvendo a bebida. Uma delas diz que o café foi criado pelo arcanjo Gabriel para recuperar as forças de Maomé. Depois de experimentar a bebida, Maomé derrubou 40 cavaleiros e conquistou 40 mulheres.
Outra lenda é mais terrena. Conta que o café foi descoberto por um pastor de cabras. Ele percebeu que as cabras tornavam-se mais espertas e resistentes ao comer uma pequena fruta vermelha. Então passou a preparar para si uma pasta feita com as frutas esmagadas e manteiga.
Mas os primeiros a ingerir o café em forma de bebida foram os árabes. Acredita-se que o café seja conhecido, no Oriente Médio, há mais de mil anos, sendo o seu nome proveniente da região de Kafa.
Também já se disse que o café era coisa do Satanás. Em 1615, os cristãos pediram ao Papa Clemente VIII que proibisse o seu consumo. Só que, para surpresa de todos, o Papa adorou a bebida e falou: "Vença-se o Satanás." A partir daí, difundiu-se o consumo do café.
A versão contemporânea a gente conhece. No mundo corporativo, café virou sinônimo de gentileza. É bonito o costume do cafezinho. É carinhoso. É algo que as pessoas fazem umas pelas outras mesmo durante as mais competitivas negociações. Nada mais civilizado que o café. E, na hora do lazer, delícia pura!
Para os defensores convictos da cafeína e amantes do café, indico o livro Manual Enciclopédico do Café, de Catherine Atkinson, Christine Mcfadden e Mark Banks, que tem tudo sobre o assunto, incluindo receitas.
por Ângela Broilo
12:47 PM
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Terça-feira, Dezembro 03, 2002
- Mãe, eu quero fazer xixi!
- Espera só um pouquinho...
Ele já tinha comido pipoca, derrubado pipoca, enjoado de pipoca. O refrigerante acabou. As balas acabaram. O corredor estava intransitável porque havia um bando de adultos estáticos sentados por ali. Que fazer?
Mães e pais, não levem suas crianças ao cinema se o filme não tiver o menor interesse para elas. Isso é tortura, puro abuso infantil. E também abuso social, já que os outros humanos, seus irmãos, precisam de um pouquinho de paz para apreciar a sétima arte.
- Mãe, o que é me-na-ge?
- Vem, vamos fazer xixi.
Perdeu o filme. Bem-feito!
por Ângela Broilo
7:58 AM
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Segunda-feira, Dezembro 02, 2002
Da cuíca ao cão.
Puíta é o mesmo que cuíca. Quando ouvimos falar em cuíca, o que vem à mente é aquele instrumento musical singular, de origem africana, muito usado pelo pessoal do samba, que tem a extremidade tapada por uma pele esticada e um bastão em seu interior, o qual, ao ser friccionado, produz o som característico. Mas cuíca também é um interessante animal, de hábitos noturnos, que vive caçando peixes à beira d'água. O outro nome da cuíca é cachorro d'água. Deve ser por isso que simpatizei tanto com esse marsupial. Cachorro, pra mim, tem cara de infância, gosto de alegria, cheiro de vida.
Ao ver um cachorro, meu coração vibra. Não importa a cor, a raça, o tamanho. O dono. Cada um tem seu encanto. O melhor amigo do homem me emociona assim porque tem características que todo amigo deveria ter. Foi o cachorro que me ensinou a amar todos os animais, que me fez colocar o Green Peace nos favoritos. O cachorro que me faz reciclar o lixo, que me leva a chorar pelo tratamento cruel que os chineses dão aos ursos. O cachorro deu origem ao meu aquário e me deixa irada com a caça às baleias, com o desmatamento do mogno, com a poluição ambiental. Com a guerra.
Num tempo em que falam tanta abobrinha de cães ferozes, quando, na verdade, deveriam ocupar-se de seus donos inábeis, eu falo do cachorro como fonte de educação para crianças e adultos, educação para uma vida mais amorosa.
por Ângela Broilo
12:24 PM
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Domingo, Dezembro 01, 2002
A Cara do Cliente
Gosto do dia-a-dia como redatora em agência de publicidade. Tudo bem, tem certos trabalhos com a loucura dos prazos ou o ¿não viaja demais, olha o custo¿. Tem mil coisas, mas, se você usa todo o seu conhecimento, faz um bom trabalho e as peças são aprovadas, tudo compensa. O maior problema é que, por melhor que seja, às vezes, o trabalho esbarra numa parede implacável: o próprio cliente. E tem vários tipos de cliente. Selecionei alguns:
O cliente não-gostei. Você apresenta o trabalho com o maior entusiasmo, expõe seus argumentos. Ele não contesta. No final, você está tranqüilo. Mas aí vem a bomba:
- Eu não gostei.
- Mas não gostou do quê?
- Ah! Não gostei...
- Mas não é pra você gostar ou deixar de gostar, quem tem que gostar é o seu público!
- Ah! Mas eu não gostei.
- Tá. Então me explica melhor por que você não gostou.
- Nem sei...
O cliente tá-quase-lá. Ele examina as peças, uma a uma. Coça a cabeça, se remexe na cadeira e:
- É... Ta quase lá...
- Como assim quase?
Aí o atendimento argumenta, você argumenta, afinal é seu filho que tá quase lá... Depois de muito blá-blá-blá, esse cliente geralmente fica sem argumentos e se sai com essa:
- É... Até pode ser... Mas me apresenta uma outra idéia pra eu ter certeza...
O cliente troca-a-perninha-do-q. Esse não prejudica tanto, mas sempre deixa um gostinho ruim na boca. Na verdade, ele não está nem aí com o talento criativo aplicado na peça. O que esse cara quer é examinar os detalhes. O trabalho é apresentado e ele olha, olha... Vira de ponta-cabeça... Lê o texto umas cinco vezes... E pergunta:
- Essa vírgula tá certa?
- Sim, quando muda o sujeito da oração, vai vírgula.
- Acho que está bom... O que você acha?, pergunta para o atendimento.
Este conscienciosamente exerce o seu trabalho. Finalmente, o tal cliente aponta para a chamada:
- Tá tudo bem, é só essa letra aqui... Não dá pra trocar a perninha do Q?
O cliente adorei-mas-deixa-eu-mostrar. Esse é fatal. O trabalho chega, ele vibra.
- Genial!!! Vocês sempre acertam! Que idéia!
Você está com aquele sorrisão, de orelha a orelha.... Finalmente alguém reconhece um bom trabalho... Aí vem o porém:
- Só deixa eu mostrar pra equipe. Aqui na empresa todos dão sua opinião.
É dose.
Agora eu tenho que ser justa. Claro que existe o cliente gente-fina, mas desse não se fala, é melhor nem elogiar que é pra não estragar.
por Ângela Broilo
11:18 AM
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