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Sábado, Março 29, 2003


Confesso. Tenho problemas em lidar com a raiva. Não sei trabalhar bem isso. Cada vez que vejo o que esses americanos estão fazendo, sinto raiva. Uma raiva imensa. E compaixão pelas vítimas. Definitivamente, vou ter que aprender a lidar com a raiva. Pelo jeito, os próximos anos serão de imperialismo às claras. Ai, ai.


Voltei! Deu pau nos comentários do blogger. Hoje vou fazer visitas pra matar as saudades. Quem deixou comentários no blogger e não tá nos Blogs que eu leio, me desculpe. Lá na página dos comments do blogger, não tem endereços e nomes identificados pra eu retribuir as visitas.


Segunda-feira, Março 24, 2003


Estou saindo de férias essa semana. Volto no sábado e prometo responder os comments no fim de semana. Sei que fiquei devendo visitas! E já estou com saudades dos blogs que eu leio. Bjos.
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Dicionário da Série I hate Bush

Com V - O Bush é um...
Violentador adj (violentar + dor2) 1. Aquele que exerce violência física ou moral sobre suas vítimas. 2. Aquele que constrange e obriga as vítimas a fazerem algo contra a vontade. 3. Aquele que infringe as regras, torcendo o sentido dos fatos.

Com X - O Bush é um...
Xibamba sm Reg. Folc.1. Monstro que amedronta as crianças.

Com Z - O Bush é um...
Zafimeiro adj. 1. Ardiloso, velhaco. 2. Aquele que engana de propósito. 3. Fraudulento, traiçoeiro.


Sábado, Março 22, 2003


Revival: porque hoje é sábado.

Cláudio Caetano
O Cláudio Caetano morreu. Encontraram seu corpo no centro, encostado na parede de uma grande loja de departamentos. Jazia sobre uma cama de papelão, numa piscina de sangue.
Ele tinha 39 anos, era negro, dois dentes na boca e nenhuma ilusão. Vítima da vida, Cláudio também fazia suas vítimas na profissão, que cultivava cuidadosamente nas noites de Porto Alegre. Ele furtava rádio de carros e, às vezes, arrombava residências. Mas, quando o conheci, chegou como vítima. Apanhara da polícia. O saldo era o pulso quebrado, umas costelas fraturadas, um olho vazado. E o cheiro, meu Deus!... Cheiro que penetrava no ambiente, violava nosso olfato. Mas a figura me comovia. Não sei se era o rosto, o desespero dos olhos, a vocalização singular das palavras. Falava aos arrancos, como um animal acuado. Ele tinha medo, medo que vinha da culpa, da desesperança. Era um ser que inspirava horror. Tinha cara de mau. Os olhos sempre injetados, mas como brilhavam... Era a miséria em toda a sua glória. A miséria sem inocência, miséria que não inspirava compaixão. Acolhia a repulsa. A miséria e todos os seus vícios, presentes e futuros. Que belo quadro daria aquele rosto...
Só que a vida de Cláudio Caetano era um belo filme de terror. O mais aterrador. O terror cotidiano, o terror comum de uma história sem originalidade, aquela que acontece o tempo todo nas cercanias da cidade, nos cinturões da fome, o terror sem inspiração.
Aos nove anos, cansado de apanhar da mãe e do padrasto, Cláudio Caetano tentou se matar. Entrou no Guaíba na certeza de morrer afogado, já que não sabia nadar. Mas, ao sabor da fome, juntou-se o gosto do medo e seu corpo começou a nadar sozinho. Então matou sua infância, o padrasto e foi para a Febem.
Cláudio Caetano não tinha nem sombra de ternura. Só que algo suavizava naquele rosto embrutecido quando falava da Janete, a mulata esquálida que costumava espancar nas tardes de domingo e que já lhe dera quatro filhos, um morto. Ela tinha treze anos quando deixou de passar fome em casa para dividir a fome com o Cláudio Caetano. Naquele tempo, ele estava quase bem de vida, proprietário de um barraco na Vila Cachorro Sentado.
Os filhos... ele não sabia dizer a idade. Confundia seus nomes, suas realidades. Na verdade, os filhos o aborreciam. Eram corpos que necessitavam coisas que jamais poderia suprir. Coisas materiais, como alimento, roupas, escola, brinquedos... Coisas espirituais, como amor, amizade, afeto, compaixão... Coisas que nunca tivera e, sabia,... nunca teria. Mas ser humano que era conhecia sua existência, por puro instinto, pela própria necessidade. Melhor não soubesse de nada, melhor seria... E tinha consciência do fato.
A última vez em que vi o Cláudio Caetano com vida foi quando ele foi levado a fazer o reconhecimento dos policiais que o agrediram. Na ocasião, ele demonstrou coragem. Tinha um medo insano da polícia. Mas desta vez não era o medo do homem culpado e sim o medoda vítima. A perda do olho foi tão sentida que venceu a si mesmo e foi. Só que mostraram fotografias antigas. Impossível reconhecer os policiais bandidos. O último resquício de esperança no sistema se esvaía. Foi a partir daí que o Cláudio Caetano tomou novos rumos na profissão. Passou dos pequenos furtos para os roubos e os latrocínios.
Aquela sova - não que fosse a primeira - deu sede de sangue. Sangue em que se banhou inteiro antes de partir.


Sexta-feira, Março 21, 2003


Dicionário da Série I hate Bush

Com R - O Bush é um...
Rato-dos-esgotos (rattus norcevegius) 1. Espécie de animal muito nociva em face dos estragos que causa.

Com S - O Bush é...
Sujo adj (cast sucio) 1. Desonesto, torpe. 2. Inepto. 3. Pessoa em quem não se pode confiar.

Com T - O Bush é um...
Tumor maligno sm (lat tumore+malignu)1. Inchação mórbida que cresce progressivamente e tem penetração destrutiva.

Com U - O Bush é um...
Usurpador adj (usurpa+dor2) 1. Pessoa que se apodera, por violência ou por artifício, de coisa que não lhe pertence de direito. 2. Aquele que, por meios injustos, se apodera do poder soberano.
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Recebi um e-mail de uma pessoa reclamando - com muito razão, diga-se de passagem - dizendo que tinha me linkado e eu não havia posto o blog nos meus links. Então, se você me linkou e eu não linkei você, avisa aí! Quero retribuir seu link. Bjos.
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Quarta-feira, Março 19, 2003


Nonsense Comum
As aberrações do senso comum são muito maiores que as consideradas aberrações individuais em face deste senso comum. Por exemplo, o horror à cascavel e a admiração pelo leão. Não dá pra concordar com isso, não há lógica alguma. Ambos são grandes assassinos. Mas por que a admiração quase irrestrita pelo leão, o título de rei das selvas, e o horror pela cascavel, o desprezo bíblico pelo réptil? A cascavel causa uma morte limpa e quase indolor se comparada à carnificina cometida pelo leão. A cascavel mata um animal através de seu veneno e só se alimenta da vítima após a sua morte. Além disso, o animal é devorado inteiro e o ambiente em torno fica quase intocado. O leão dilascera suas vítimas, rasga seus corpos, espalha sangue para todos os lados. Realmente, prefiro assistir o "assassinato" infringido pela cascavel. E, se me fosse dado escolher entre uma e outra morte, com certeza escolheria ser morta através do veneno da cascavel do que sentir meu corpo sendo lascerado pelos instintos quentes de um mamífero faminto. A cascavel é fria, sinuosa, calcula seus movimentos e dá um bote preciso na hora certa. A vítima quase não percebe, e seu tempo de sofrimento é bem menor. O leão persegue a vítima por um bom tempo, só o pavor que esta sente durante a perseguição já vale o sofrimento de mil vidas. O problema, claro, não reside no mundo animal. O problema está na admiração para com os leões humanos, que acabam se tornando os reis da urbe... Aí é que mora o perigo...


Terça-feira, Março 18, 2003


Democracia tem limites. Comentário anônimo a favor da guerra, a partir de hoje estou deletando. Só vai ficar se tiver nome, e-mail e blog - verdadeiros.


Segunda-feira, Março 17, 2003


Dicionário da Série I hate Bush

Com N - Para o mundo todo, o Bush é...
Nocente (adj m+f (lat nocente) 1. Prejudicial. 2. Daninho, nocivo.

Com O - O Bush é...
Odioso adj (lat odiosu) 1. Digno de ódio. 2. Detestável, execrável. 3. Que inspira profunda aversão e desprezo.

Com P - Para o mundo todo, o Bush é...
Perigoso adj (lat periculoso) 1. Ser que ameaça a existência e a integridade de pessoas e coisas.

Com Q - O Bush é um...
Quasímodo sm (lat quasi+modo) 1. Indivíduo monstruoso.


Sábado, Março 15, 2003


Tinha resolvido não postar mais no fim de semana. Mas fico com dó do sábado passar em branco, domingo não tô nem aí! ;o) Então o Junior, com um comment aí embaixo, sem querer, me deu a idéia, digna dos preguiçosos, mas eu digo ainda, digna de quem fica em frente a um computador, dia e noite, a semana inteira. Bom, vou ocupar o espaço dos sábados com textos já postados há um certo tempo aqui e outras coisinhas que não costumo postar em dias de semana. Quer dizer, sábado vai ser dia de descanso aqui no Angel 7000, mas vai ter sempre alguma coisa só pra dizer que não falei das flores. Se você já leu, dá um desconto. Porque hoje é sábado, vale tudo!
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Da Série: Revival porque é Sábado.

Às vezes, eu me vejo assim.

Cena 1
Noite fria de sexta-feira.O Bar de Baco está cheio hoje. Minha mesa, perto da parede, no canto mais afastado do bar, está ocupada. Sento no balcão e peço uma tequila. Um facho de luz azulada ilumina a cantora. É Billie Holiday renascida no século XXI. Como se fosse uma dádiva, fico ali saboreando o blues.

Cena 2
Tarde ensolarada de sexta-feira. Ufhhh! Que calor! Agora o Bar de Baco fica em Ipanema. Minha mesa, no canto mais afastado do bar, está vaga. Bebo uma cerveja gelada, enquanto observo os ocupantes de outra mesa. Um deles me fascina. Marcos Vinícius de Melo Moraes. Está sorrindo um sorriso bêbado, corpo jogado para trás, cadeira meio inclinada. Seus companheiros também riem e conversam. Tudo muito cotidiano. Aquela simplicidade perene. Amanhã é sábado e minha cerveja tem sabor de mar e... poesia. Pura bossa.


Sexta-feira, Março 14, 2003


O limite da imaginação
Não é uma imagem que me persegue esta. Mas a sua ausência. As impossibilidades me atraem pelo sonho do possível que contêm. Mas a total impossibilidade de visualizar esta específica realidade material toma conta de muitos momentos meus. É a imagem do nada absoluto. Ou melhor, a não imagem, porque não há como apreender o nada em pensamento. Diante do nada absoluto, é uma inverdade dizer que a imaginação não tem limites. O nada incondicional é o limite. Feche os olhos e tente imaginar o nada. O que você vê? A escuridão, paredes que cercam o ar, um espaço vazio? Tudo isso não é o nada. São paredes, é a escuridão, o ar, as dimensões que compõem a realidade. Mas o nada absoluto não cabe em lugar algum, porque esse lugar impede o nada e seu não ser. Imagine o início de tudo, antes do Big Bang, quando o universo inteiro - galáxias, estrelas milhões de vezes maior que o sol, planetas, satélites, tudo - estava contido em um ponto muitas e muitas vezes menor que um grão de areia, um ponto microscópico com uma massa incrível. Tento imaginar esse ponto, que era tudo que existia. O resto não era, era nada. Mas sempre imagino o ponto em algum lugar. Impossível visualizar o ponto como o único todo. E aí está o limite da minha imaginação.
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Que lindo! Ganhei o award da Lady of the Dark. Fiquei muito feliz, Sheila!


Lady of the Dark


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É uma piada!
Não costumo postar piadas aqui. Não é bem a carinha do Angel 7000. Mas eu adoro piadas. O humor é uma das coisas gostosas da vida! E essa eu não resisti! Tá muito engraçada! Foi o Fonte Boa quem me enviou por e-mail. Ele posta no Mundo de Pepperman, um blog descontraído e superdivertido, feito por pessoas realmente especiais. Valeu pelas risadas de hoje, menino! Aí vai:

Saddam Huseein e George W. Bush se encontram pela primeira vez, em Washington, para discutir a paz. Quando Saddam sentou na poltrona destinada a ele, pôde ver que havia três botões na cadeira de Bush. Depois de cinco minutos de conversa, Bush apertou o primeiro botão e uma luva de boxe saiu do braço direito da cadeira de Saddam e socou o ditador iraquiano na cara. Confuso, Saddam continuou falando sobre paz enquanto Bush ria. Alguns minutos depois, Bush apertou o segundo botão e uma bota acertou o traseiro de Saddam. Bush gargalhou tanto, que apertou o terceiro botão e um balde de água caiu na cabeça do iraquiano, enquanto o presidente americano rolava no chão de tanto rir. Finalmente, Saddam se tocou de que o processo de paz havia fracassado e voltou a Bagdá.
Duas semanas depois, as negociações recomeçaram, e foi a vez de Bush ir ao Iraque. Quando o americano chegou à sala do iraquiano, percebeu que na cadeira de Saddam havia três botões e ficou preparado para a revanche do ditador. Eles começaram a conversar e Saddam apertou o primeiro botão. Bush se encolheu todo, mas nada aconteceu. Saddam caiu na risada... A conversa continuou e, alguns minutos depois, o ditador apertou o segundo botão. Bush deu um pulo na cadeira, mas nada aconteceu ... e Saddam caiu na gargalhada. Poucos segundos depois, Saddam apertou o terceiro botão. Bush arregalou os olhos, mas nada aconteceu. Saddam rolava no chão de tanto rir. O americano, irritado com aquela bobagem, levantou-se e disse:
- Esqueça a paz! Estou voltando para Washington!
E Saddam, rindo feito louco, disse:
- Que Washington?


Quarta-feira, Março 12, 2003


Lei da Prisão
Esses dias estava conversando com o pessoal e alguém disse que considerava mais do que justa a chamada "Lei da Prisão" quando se trata de estuprador. A Lei da Prisão é a lei dos próprios bandidos que vigora dentro da cadeia, onde eles fazem a sua justiça pelas próprias mãos. Aí lembrei de um caso que acompanhei.
Na época, um taxista disse que viu o cara violentando a garotinha de 6 anos. A polícia prendeu o estuprador em flagrante, embora não tivesse havido flagrante. O estuprador, de nome Diogo, foi para a cadeia aguardar o julgamento. E ser julgado pela "Lei da Prisão". Estuprador na cadeia, todo mundo sabe, é sodomizado, torturado, paga cem vezes o mal que praticou. Estuprador de criança então... acho que escolheria ir para o inferno de Dante a ir para a prisão. Eu pude constatar o estrago quando vi as fotos que a perícia fez do corpo do Diogo. Você não gostaria de ver aquilo. Era um hematoma só. Fico imaginando a expressão dos olhos dele na hora da morte.
O Diogo era universitário, tinha 21 anos, gostava de tocar violão com os amigos e foi preso em flagrante por atentado violento ao pudor contra essa menininha de 6 anos. Lá dentro da cadeia, diz que os agentes penitenciários, com raiva do criminoso que maculou a criança, propositadamente, deixaram a cela dele aberta e permitiram que os demais presidiários tivessem acesso ao estuprador. É que o caso foi muito noticiado em toda a imprensa, ainda mais em razão de ter sido praticado por um universitário. Todo mundo viu a mãe da menina na televisão, em prantos, na frente do hospital onde a criança era socorrida. Com isso, aquela massa de bandidos se comoveu ainda mais. Quem disse que bandido não tem coração? Então, o Diogo foi violentado e espancado por mais de cinqüenta homens. Morreu de homorragia interna, embora o exterior de seu corpo e, principalmente, de suas partes baixas, estivesse implorando pela morte. Um dos bandidos contou que o Diogo era mesmo um covarde, porque antes de morrer implorou para que o matassem. Mas estuprador de criança merece mais que a morte, muito mais.
Uma semana depois, quando ouvi a mãe do Diogo, eu não sabia o que dizer. Não sabia o que dizer... Porque uma semana após a morte do filho dessa mulher, descobriram que o taxista mentira, que o delegado agiu na ilegalidade lavrando um flagrante inexistente e que essa menina era violentada a muito tempo já, provavelmente por um depravado membro da própria família, conforme constatação dos médicos e psicólogos que a examinaram.
É por isso que considero a "Lei da Prisão" tão criminosa quanto o próprio estupro, mesmo para com estupradores de fato. Mas, com essa permissividade do sistema e o apoio velado da opinião pública, ai de quem for inocente.


Terça-feira, Março 11, 2003


Beto
O Beto tem a mesma idade que eu. Fomos amigos de infância. Quando tínhamos dezesseis anos, o Beto era o terror das festas. Terror de terror mesmo. Todo mundo fugia do Beto, porque durante as festinhas, adolescente quer dançar, ficar, paquerar, tentar aliviar um pouco as necessidades hormonais latentes. Mas o Beto era diferente. Ele queria conversar. De preferência, sobre as disciplinas vistas em aula e de preferência sobre física. Imagina você de olho na Fernandinha que está lá do outro lado da sala sorrindo pra sua pessoa. Você toma coragem pra cruzar o recinto e dar o bote, mas é impedido pelo cara que se atravessou no seu caminho, mencionando alguma coisa sobre a fórmula de não-sei-o-quê que você não entendeu nada durante a aula, imagine só se você vai tentar entender essa abominação agora, com a Fernandinha lá na menor minissaia que já se viu. Mas o Beto insiste. Aí você dá uma de grosso, depois fica com pena porque, no fundo, você é um cara legal, mas também o Beto é um mala ao quadrado. Você se livra do Beto, que parte em direção a outra vítima, agora uma menina. Porque até o Beto sabe que as meninas são mais compreensivas. Aí ele aborda a menina que tá conversando com uma amiga, tentando decidir se fica ou não fica com o Daniel, aquele gostoso que deixou ela na mão no último sábado. O Beto pergunta o que ela achou da última aula de química. A menina é direta: Beto, não enche! E por aí vai. O Beto tentando se aproximar e o pessoal tentando ficar o mais distante possível dessa criatura bizarra.
Assim foi a adolescência e aí o Beto partiu, só o reencontrei há dois anos quando ele voltou pra cidade. Hoje, o Beto costuma aparecer de vez em quando no Bar de Baco. E ainda provoca grandes antipatias, mas de uma maneira bem diferente. O Fábio e o Dado acham o Beto um terror. Terror de terror mesmo Porque ele começa a falar de certos assuntos, os mesmos que tentava falar com a gente na adolescência, mas agora a coisa mudou de figura. O Beto fala de coisas tão atraentes e interessantes que, ao invés de o pessoal fugir, todo mundo quer se aproximar. Mas dá pra compreender o fato de alguns indivíduos desejarem cortar a garganta do Beto. Imagina você ali no Bar de Baco, no lugar do Dado, por exemplo, com a Bárbara ao seu lado na mesa, quase pronta pra ir ao seu apartamento e ter uma noite inesquecível. Você se deu ao trabalho de arrumar todo o apartamento e até champagne deixou na geladeira porque sabe que ela se amarra num espumante. Então chega o Beto e alguém puxa assunto com ele. Confesso, esse alguém geralmente sou eu, mas é que o papo do Beto é simplesmente irresistível. Ele vai respondendo, assim:
- ... e então imagine que você descobriu um buraco negro com uma massa umas mil vezes maior que a do sol e você fica a uns centímetros do horizonte de eventos desse buraco negro; a sua passagem pelo tempo se desacelera e o seu relógio vai ser 10 mil vezes mais lento que o do pessoal aqui na Terra. E, se você ficasse ali por um ano, quando fosse pilotar sua nave espacial de volta para a Terra, numa viagem curtinha, quando você chegar lá, vai perceber que na Terra já se passaram 10 mil anos...
Ou...
- ... a idade atual do nosso Universo é de cerca de 15 bilhões de anos...
Ou...
-... o relógio de uma pessoa que está em movimento anda mais devagar, mas são números tão pequenos que não percebemos, agora, se andássemos na velocidade da luz, notaríamos a diferença com certeza...
E por aí vai. A Bárbara se interessa, claro. Qual é a mulher ou a pessoa humana que não se interessa pela origem da vida, a maior de todas as questões? E o Beto ali, esclarecendo mil coisas, respondendo a todas as perguntas, levando a turma pra viajar com ele pelo cosmo das possibilidades. E adeus sua noite inesquecível com a Bárbara.
É por essas e outras que, se você estiver com intenções para depois do Baco, não sente na mesma mesa que o Beto. Se na adolescência as mulheres fugiam dele como do capeta, hoje o Beto parece que tem mel. E tudo só no papo.


Segunda-feira, Março 10, 2003


O tempo e o espaço da paixão
Queria ter paixões longas, longos períodos tontos de ilusão. Mas paixão pra mim dura pouco, pouco mais de dois meses e olhe lá. São dois meses tão obcecados, obsedados, loucos de emoção. São dois meses de pernas bambas, risos e prazeres, dois meses vivendo no ar. E um dia, como vem, a paixão parte pra lugar nenhum. Leva seus brilhos, as esperanças, os espantos, as bagagens todas. Fico assim tentando entender onde estou, o que restou, se vou continuar ou se vou fugir. Com ele, continuei até hoje e nunca fui tão feliz. Essas outras paixões - pelas coisas - que me envolveram a pouco tempo e que já partiram, decidi ficar firme pra ver no que dá. Estou apostando, outra vez, no lado saudável das minhas sombras.
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Gente, só pra explicar. Talvez no post (ou melhor, "não-post" de sábado) eu tenha me expressado mal. Mas estou ótima. Não postei porque minhas costas estão me incomodando um poico pelo excesso horas em frente ao micro, então decidi ficar longe dele no fim de semana. Obrigada pelo carinho dos comentários. Amo todos vcs!


Sábado, Março 08, 2003


Hoje não vou conseguir postar. Segunda eu volto! Beijos.


Sexta-feira, Março 07, 2003


Se alguém deixasse você nu, o obrigasse a ficar com os braços erguidos para o alto o tempo todo e o acordasse sempre que você ameaçasse dormir, impedindo totalmente seu sono, isso não é tortura.
É apenas uma forma de pressão. Pelo menos, é o que diz o governo norte-americano a respeito do tratamento que dá aos prisioneiros que acusa de terrorismo.
E, depois, monstros são os outros...
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Fico imaginando até onde podem chegar seres humanos a quem tudo é permitido, sem nenhuma espécie de limite eficaz.


Quinta-feira, Março 06, 2003


Lúcio
Hoje lembrei do Lúcio, um conhecido lá do Bar de Baco.. Há tempos não o vejo... Quando lembro dele, fico pensando como deve ser trágico viver com o estigma do suicídio. Explico: uma vez o Lúcio contou que o seu avô se suicidou, o pai acabou com a vida e o tio foi pelo mesmo caminho. Disse o Lúcio que o seu médico psiquiatra alertou a família que eram grandes as probabilidades de que ele se suicidasse também. Desde então, quando olho para o meu amigo, fico imaginando algumas cenas: o Lúcio se jogando do 15º andar, o Lucio se atirando à frente de um automóvel, o Lúcio dando um tiro na boca, o Lúcio saltando em alto mar, próximo a um território povoado por tubarões, o Lúcio ingerindo veneno... Morbidez minha. Eu sei. Mas o engraçado é que consigo ver o Lúcio em cada uma dessas situações, imagino as cenas em detalhes e todas me parecem prováveis, no lugar certo. Tem pessoas, como o Mark F., por exemplo, esse não imagino matando a si próprio. E há outras que até consigo visualizar assassinando alguém, mas nunca cometendo o mesmo em relação a si. O Lúcio..., bom, gostaria que nada acontecesse com ele nesse sentido, mas, talvez, uma noite, ele saia do Baco e faça alguma coisa louca com o carro, aquele tipo de coisa que parece acidente. Mas nunca é. E acho até que ele vai levar alguém junto. Não por mal. É que o Lúcio não aprecia a solidão.


Quarta-feira, Março 05, 2003


Gosto do Carnaval. Gosto dele longe de mim. Gosto de ver as cores, o samba, gente coberta de brilhos, a loucura, o desvario. É uma beleza isso. Desde que fique longe de mim. O excesso de alegria me sufoca, assim como me enterra o excesso de tristeza. Gosto de ambientes calmos, de gente que fala baixinho. Gosto da ironia fina, do humor sutil, da sensualidade forte, porém discreta. E gosto de segredos, me fascinam os mistérios e seus fantasmas. Gosto dos loucos impunes e das frutas ácidas. E de pimenta abundante. E dos suicidas. E me encontro nas sombras. Por isso, passo os dias da folia no Bar de Baco. Onde todos amam o Carnaval. À distância.
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Ganhei o award da Jéssica! Valeu, Jéssica. Adorei receber seu award! ;o)



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Não estão me agradando as reportagens sobre a Guerra que tenho lido na Revista Veja. Infelizmente, é a revista semanal de maior circulação no Brasil, com uma tiragem superior a 1 milhão de exemplares por semana. No meu ponto de vista, está supertendenciosa. Vou cancelar minha assinatura e vou assinar o jornal Gazeta Mercantil, o que já devia ter feito há tempo. Este jornal está com análises excelentes sobre o conflito - pelo menos até o momento - e sobre os demais assuntos que aborda. Não sei como estão as reportagens da IstoÉ e Época. Alguém sabe?


Segunda-feira, Março 03, 2003


E se...
Tudo bem que, atualmente, a única viagem no tempo considerada "possível" de ser realizada é a viagem para o futuro. Isso se fosse "possível" continuar inteiro e viajar na velocidade da luz ao mesmo tempo. Tudo bem que, se o tempo for um círculo, como indica uma solução da equação de Einstein, ele seria uma linha fechada, sem começo e nem fim. Nesse caso, o passado está ali inscrito e não poderia ser alterado! Mas, e se existirem os buracos de minhoca? E, se fosse possível, de alguma forma, entrar num buraco negro, sair por um buraco de minhoca e então voltar ao passado? Aí, o passado seria alterado de qualquer maneira... E com ele o futuro... O que você faria? Eu fico pensando na possibilidade de encontrar e conversar comigo mesma... Não sei se eu iria acreditar em tudo o que acontecerá no futuro daquele passado, hoje presente. E será que algumas coisas boas poderiam deixar de acontecer se outras - as não tão boas - fossem modificadas para melhor? Seria um jogo perigoso esse. Com a possibilidade de ganhar lá e perder aqui. Ou vice-versa. De qualquer maneira, por enquanto, sem chance de ficar nesse impasse.
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Ganhei esse presentinho da Clarissa! Valeu, Clarissa! Adorei! ;o)



Sábado, Março 01, 2003


E se...
E se os buracos de minhoca existirem? E se houver uma forma de atravessá-los e sair de lá inteiro? E se for possível retornar ao mesmo local através do mesmo buraco de minhoca? E se, ao atravessar o buraco de minhoca, fôssemos parar numa região do espaço-tempo diferente do nosso? E se houver esse buraco de minhoca localizado de tal forma que, ao atravessá-lo, pudéssemos voltar ao passado? E se eu perder esse amigo inteligente, que ama as ciências exatas, porque fico bombardeando ele com mil perguntas inexatas sobre a possibilidade real da viagem no tempo? Hoje, fugi do tema de sempre... Mas acho que bati o recorde do absurdo. Com essa: e se houvesse a possibilidade de desenvolver a equação da vida? Ai, ai, ai... Juro que vou parar com isso. Segunda-feira.

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