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Angel 7000
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Quarta-feira, Abril 23, 2003


Tem uma poesia do Vinícius onde ele fala dos amigos que guarda no coração e que nem fazem idéia da importância que têm na vida dele, porque ele próprio nunca disse a eles e nem os procura. Não encontrei a poesia para postar aqui. Mas são palavras que me vêm à mente de vez em quando. Quanta gente tenho na minha vida que não têm noção da sua importância para mim. Gente querida que não encontro por falta de tempo, falta de zelo, falta de juízo. Pessoas que amo e que ficam assim, no limbo da minha existência... Porque sou comodista demais para quebrar as engrenagens de uma rotina confortável. Hora dessas, vou dizer a elas. Hora dessas, vou mesmo.


Sábado, Abril 19, 2003


Oportunidades, o amor, a amizade, os grandes prazeres... As melhores coisas surgem quando menos se espera. Certo que é preciso estar preparado para abraçá-las quando aparecem. Mas os momentos são inesperados. Para mim, pelo menos, sempre foi assim. Ou pensava que não aconteceriam mais ou não imaginava que pudessem acontecer naquele determinado espaço de tempo.
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Feliz Páscoa a todos!


Terça-feira, Abril 15, 2003


Estou envolvida num projeto de algo que sempre sonhei. Por isso, a ausência. Quando estiver concluído, eu conto o que é. Beijos e desculpa a ausência. Sexta-feira eu volto para visitar todos os blogs queridos. Beijos.


Quinta-feira, Abril 10, 2003


Um dos grandes prazeres da vida: a sensação de tarefa cumprida.


Quarta-feira, Abril 09, 2003


O Iraque já foi. Quem será o próximo?


Segunda-feira, Abril 07, 2003


- Chama o segurança!
Era o cabeleireiro gritando pela porta, com uma cabeça embaixo do braço. Ele segurava a cabeça com todas as suas forças. A cabeça estava inerte, mas o corpo se debatia em desespero. Como a cabeça, as pessoas em torno ficaram imóveis. Outra vez, o pedido aflito:
- Chama o segurança!
Alguém decidiu se mover, chamando baixinho pelo segurança. Outros se moveram então e, aos poucos, começaram os gritos pelo shopping: "segurança", "segurança"! Veio o segurança com walkie talkie, pedindo reforço já. Mais quatro vieram atrás. Dentro do salão de beleza, um homem negro e baixinho foi deitado de bruços no chão. Levou uns pontapés do cabeleireiro. Mas logo fizeram-no parar. O povo olhava afinal. O ladrão estava totalmente imobilizado. Revistaram-lhe o corpo buscando por armas. Nada. Ele sussurrou alguma coisa. O cabelereiro foi rápido:
- Mas e daí se você não levou nada? Tentou roubar. Isso é que conta.
Conta nada. Tentativa de furto não existe. Para a frustração do cabeleireiro que trabalha de domingo a domingo naquele local, tiveram que soltar o bandido. Soltaram, dizendo:
- Nunca mais volta aqui, vagabundo!
O vagabundo se foi pela porta da frente. O furto, um fracasso total. Da próxima vez, ele estaria atento, armado e não se deixaria agarrar assim por um mísero cabeleireiro. O pior de tudo é que dessa vez o caixa estava vazio.


Quando as coisas que mais desejo estão prestes a acontecer, fico sem palavras. Minha vida vira expectativa.


Quarta-feira, Abril 02, 2003


Essa o Paulo contou ontem lá no Bar de Baco. Fim de semana, estavam na fazenda com ele, o Luciano, a Sandrinha, o Mark e mais um pessoal que eu não conheço. Acontece que o Paulo ganhou um cachorro e está deixando ele no campo pra guardar o local. O nome do cachorro é Mestice, um dog brasileiro, tem só quatro meses e já é enorme. No domingo, na hora de voltar pra cidade, o Paulo acariciou o Mestice e comentou com o pessoal:
- Esse aqui vai ser um bom guarda.
E o Luciano retrucou:
- Hehehehe! Esse é manso demais! Olha só, até lambe minha mão!
- É... mas ele tem a saliva venenosa, agora vou ter que levar você pro hospital.
O Luciano é meio palhaço e começou a se contorcer todo. Em seguida, pegaram os carros e voltaram pra cidade. O assunto estava esquecido, até segunda-feira à noite, quando ligam pro Paulo do Pronto-Socorro. Um tal José estava lá com um cachorro. Dizia ter sido envenenado pelo animal. Não sabiam o que fazer com ele. Entenderam que o José fosse doente mental e, como disse que o Paulo era responsável por ele, pediam para ir buscá-lo imediatamente.
O Seu José é o caseiro do Paulo. Esse homem tem uns cinqüenta anos, pessoa muito simples mas um excelente trabalhador. Hoje está só, mas já teve família e perdeu a mulher no tempo em que era um pecador. Diz o Paulo que ele bebia e, com a religião, conseguiu deixar o álcool. Gaúcho da fronteira, José usa bombachas e está sempre pilchado, só não é muito típico, porque vive falando de religião. Chegando ao hospital, o Paulo confirmou o que já desconfiava. O caseiro tinha visto sua brincadeira com o Luciano. Foi lambido pelo Mestice e pensava estar "envenenado" pela saliva do cachorro. O homem estava apavorado, fazendo o maior escândalo no hospital. O Paulo levou um tempão pra acalmá-lo e outro tanto pra convencer uma enfermeira que não havia necessidade de anti-rábica. O Mestice nem aí com a agitação, tranqüilo e de bem com a vida, cheirava todos os cantos desconhecidos do ambiente. O Paulo só não tinha entendido por que o caseiro, pensando que o animal fosse venenoso, arriscara-se a trazê-lo junto. Então resolveu perguntar. O Seu José deu uma resposta de entendido:
- Trouxe que era pros dotor fazê o soro anticusco*, patrão!

* Cusco - Do regionalismo gaúcho - Cão de raça ordinária, o mesmo que guaipeca.


Terça-feira, Abril 01, 2003


Vem um gosto amargo na boca quanto falam de crueldade contra animais. Vem essa dor no peito. Dor que não sinto em se tratando de seres humanos. Meu respeito vai para os animais, que preservam a vida em torno e sua descendência. Meu amor para os animais, porque é mais fácil assim. Amar o lindo, o que é puro. Há que ser santo ou louco para amar toda a insuficiência humana, a selvageria, os rancores todos. Há que ser bom para simpatizar com assassinos que chegam de mansinho, com aparência de crianças doces e uma faca afiada na mão. Não sou boa, sou humana. E assisto a guerra pela TV e fico satisfeita por estar aqui tão longe. Não sou boa, sou humana e a força toda que possuo está direcionada para cuidar da minha sobrevivência e dos meus e penso que está bom assim, que é suficiente. Eu, que como os animais e digiro a sua carne, choro por eles. Sou a imagem da mais pura contradição humana. A que desprezo na humanidade, a que destrói a vida e suas mais ricas manifestações.
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Imagem da guerra:


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